quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Biografia da Cantora Simone


Biografia

Prematura de oito meses e sétima filha de uma família de nove irmãos, o pai, Otto, queria que o nome fosse Natalina, mas a mãe, Letícia, prestes a batizar a filha, mudou o nome para Simone. Até a adolescência Simone foi jogadora profissional de basquete e por isso mudou-se para São Paulo aos dezessete anos, para integrar o time da Seleção Brasileira de basquete feminino. Estudou na Fefis, em Santos, onde se formou em Educação Física; foi colega, durante o curso, do futebolista Pelé [1].

Trajetória artística, o começo

Convidada pela amiga e professora de violão, Elodir Barontini, Simone participou de um jantar na casa do então gerente de marketing da gravadora Odeon, Moacir Machado, o Môa. Neste encontro, especialmente marcado para que ela mostrasse a voz, ao final veio o convite para assinar um contrato, não para um, mas quatro LPs de uma só vez, para gravadora: Simone fez muito sucesso no teste e foi logo aprovada. O primeiro, Simone, gravado em outubro de 1972, teve uma produção de baixo custo e poucos músicos, regidos pelo maestro José Briamonte. A primeira tiragem foi distribuída apenas para amigos, parentes e para o meio artístico; dez anos depois seria relançado com uma capa diferente. O lançamento ocorreu em 20 de março de 1973 (considerada a data oficial do início da carreira) em São Paulo e Simone estreou no mesmo dia num programa da TV Bandeirantes. A participação no programa Mixturação, (direção/produção de Walter Silva, TV Record, abril, 1973), também foi aguardada com expectativa e Simone apontada como um dos nomes mais promissores. O sucesso começava assim de forma gradual.

Uma esportista que já conhecia o sucesso nas quadras migrava para os palcos numa transição fácil, embalada pelo apoio de uma família de músicos, do pai, violinista e cantor de ópera, e da mãe, pianista, de onde vinha o maior incentivo. Antes de se tornar conhecida do público brasileiro, participou de uma turnê internacional organizada por aquele que se tornaria um dos grandes incentivadores, Hermínio Bello de Carvalho. A excursão internacional incluía no roteiro o Olympia em Paris, e o Madison Square Garden, em Nova Iorque, além de Bélgica e Canadá. A turnê foi um grande sucesso e originou os discos Brasil Export 73 e Festa Brasil -- ambos produzidos por Hermínio Bello de Carvalho, que ainda produziria os dois álbuns subseqüentes: Quatro paredes e Gotas d´água; neste último a produção foi realizada em parceria com Milton Nascimento.

Sucesso, espetáculos, especiais de TV

Quatro anos mais tarde (1977) teve o primeiro grande momento de sucesso com as canções Começar de novo, Face a face, Jura Secreta e O que será. Esta última foi gravada pela primeira vez em 1976 e integrou a trilha sonora do longa-metragem Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto. Em agosto do mesmo ano, ao lado de Belchior, foi aclamada pela crítica e esgotou os ingressos no espetáculo Seis e meia, no Teatro Teatro João Caetano: "O show do projeto Seis e Meia ... foi muito importante para a carreira, pois mostrou a aceitação popular de um trabalho antes reduzido a uma pequena faixa de pessoas que compravam seus discos." Eu era uma pessoa com público pequeno. Pessoas que estavam acostumadas a comprar discos, ou seja, que procuravam saber as novidades. E, então, aquele monte de gente estava lá pra nos assistir e eu sabia que não era só para ver o Belchior não, tinha gente que queria me ver também", comenta Simone" [2]. No ano seguinte (16 de junho a 15 de setembro de 1978) o nome estava entre os dos artistas do ambicioso Projeto Pixinguinha, e, ao lado de Sueli Costa, apresentou-se no Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Maceió, Recife e Brasília. Um excerto do Projeto comenta o progresso da carreira: Em 77, além do lançamento do LP Face a Face e da trilha sonora do filme Dona Flor e seus dois maridos fez muito sucesso num espetáculo no MAM. No Teatro Clara Nunes, com direção geral de Hermínio Bello, apresentou-se em Face a Face. Em cada espetáculo vem se projetando e se coloca, no momento, entre as melhores cantoras brasileiras. Acabou de gravar Cigarra, com músicas de Gonzaguinha (Petúnia Resedá), Fagner e Abel Silva (Sangue e Pudins), Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (Cigarra). (Excerto by Funarte.)

Divisor de águas na carreira foi o espetáculo Pedaços (30 de dezembro, 1979, Canecão) gravado ao vivo e lançado em disco em 1980, sob o título Simone ao vivo (primeiro gravado ao vivo). Sucesso de público e crítica, Pedaços teve a primeira apresentação em outubro e foi considerado o melhor do ano; em termos de público só foi superado pelo espetáculo anual de Roberto Carlos. Dirigido por Flávio Rangel, que incluiu a canção Pra não dizer que não falei das flores no repertório, celebrando a primeira audição da canção antológica na voz e a primeira interpretação engajada da carreira, e que só não ficou mais conhecida do que a do próprio compositor Geraldo Vandré. Simone foi a primeira artista a cantar 'Pra não dizer que não falei das flores' após a liberação pela censura: Quando eu comecei a cantar essa música no 'Canecão', todo mundo cantou junto e foi uma maravilha isso. 'Caminhando' é uma música que está no inconsciente coletivo das pessoas e que mexe muito, mas muito mesmo, com muita gente [3].

Em matéria publicada na Revista Veja (março de 1982): Simone Bittencourt de Oliveira nasceu duas vezes. A primeira, em 1949, num bairro de classe média de Salvador, na Bahia. A segunda, na noite de 7 de fevereiro passado, no estádio do Morumbi, em São Paulo, quando ergueu um coro de 90.000 vozes na apoteose do espetáculo Canta Brasil, com a canção Caminhando nos lábios e lágrimas nos olhos. Quando terminou de cantar, era mais uma estrela no céu. O sucesso lhe rendeu o primeiro disco de ouro e um especial da Rede Globo, gravado ao vivo no Teatro Globo (2 de março, 1980). O programa, chamado Simone Bittencourt de Oliveira, foi o primeiro da série Grandes Nomes.

Uma cantora cujos espetáculos se encerravam com flores distribuidas ao público, tornava-se não só uma grande voz para os versos de Vandré, mas também, ao lado de outros artistas, vivenciava-os: Ainda fazem da flor seu mais forte refrão, E acreditam nas flores vencendo o canhão. Ao final do espetáculo Delírios e Delícias clamou pelas Diretas Já; em 1989, ao lado de Marília Pêra e Cláudia Raia, declarou e apoiou o então candidato Fernando Collor de Mello. O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações de sambas como Disputa de Poder e Louvor a Chico Mendes, além de Maria, Maria, Uma nova mulher, O sal da Terra, Será, Pão e poesia, Isto aqui o que é, É, O tempo não pára, Blues da piedade.

A partir da segunda metade da década de 60(1965), em plena efervescência da contracultura e no rescaldo do pós-bossa-nova, surgiram na televisão brasileira os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record). Contemporâneos da Jovem Guarda e do Tropicalismo, os Festivais açambarcavam todos esses estilos, a bossa nova, o rock vanguardista da Jovem Guarda e o ecletismo do Tropicalistas, e ainda seria o palco de estréia de um novo e definitivo estilo, a MPB, inaugurado com a interpretação antológica da novata Elis Regina, cantando Arrastão.

Durante duas décadas a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso da transmissão desses espetáculos que apresentavam os novos talentos, registrando índices recordes de audiência; já reconhecida pela crítica Simone marcaria presença (1979) no Festival interpretando Para Lennon & McCartney (de Márcio e Lô Borges e Fernando Brant). O especial Mulher 80 [4] (Rede Globo), foi um destes marcantes momentos da televisão; o programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então abordando esta temática no contexto da música nacional e da ampla preponderância das vozes femininas [5], com Elis Regina, Maria Bethânia, Fafá de Belém, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Zezé Motta, Gal Costa e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher. Em entrevista ao jornal O Pasquim [6], Elis Regina fala de Simone: (...). Elis, dessa safra toda, tem alguma que você destaque? Elis - Gosto muito da Simone. Potencialmente, vê-se nela a possibilidade de um desabrochar grande. É uma mulher bonita, seu repertório é muito bom e está muito bem assessorada pelo Flávio Rangel e pelo Nélson Ayres.

Aos trinta e dois anos protagonizou um feito histórico, tornando-se a primeira cantora a lotar sozinha um estádio, o Maracanãzinho, em 1981; superlotou também o Mineirinho e o ginásio da Pampulha; no mesmo ano lançou Encontros e despedidas. Pioneirismo evidenciado em outras ocasiões como quando gravou, muito antes de Paul Simon ou Michael Jackson, com o Grupo Olodum da Bahia [7]; ou quando, num dos espetáculos, surpreendeu a platéia levando para o palco uma cama, um ano antes da pop star Madonna chocar o mundo com a mesma idéia. Quatorze anos mais tarde, em 1995, foi a primeira cantora de renome a gravar um disco inteiro exclusivamente com canções natalinas [8]. Em fevereiro de 1982 o espetáculo Canta Brasil levou ao estádio do Morumbi quinze a vinte mil pessoas por dia para assisti-la interpretando Milton Nascimento, Ary Barroso, Chico Buarque, Tom Jobim, Fernando Brant, Vítor Martins, Paulo César Pinheiro, Hermínio Bello de Carvalho, Isolda, Sueli Costa e Abel Silva. Em dezembro de 1983 parou a Quinta da Boa Vista [9] onde uma multidão de mais de 150 mil pessoas foram assisti-la na primeira transmissão ao vivo da história da Rede Globo para um espetáculo de final de ano. Também em 1983 dedicou o disco Delírios e delícias a Fernanda Montenegro; a atriz retribuiu a homenagem com uma dedicatória manuscrita [10] no release do disco Desejos (1984).

Nos anos oitenta, que foram marcados pelo reconhecimento de grandes cantoras na MPB, firmava-se assim como uma recordista de público e de vendagem: os discos voavam das prateleiras tão logo eram lançados e o nome Simone despontava como um dos grandes ícones da indústria fonográfica nacional. Anunciar os espetáculos num clube, casa noturna, ginásio ou estádio era garantia de sucesso e casa super lotada. A maior temporada ocorreu na tradicional casa carioca, Scala II (1986), durante oito meses seguidos e o maior público já registrado é de 220 mil pessoas, em uma única apresentação, ao ar livre.

Originalmente idealizado para a montagem do ballet teatro do Balé Teatro Guaíra (Curitiba, 1982), o espetáculo O Grande Circo Místico foi lançado em 1983. Simone integrou o grupo seleto de intérpretes que viajou o país durante dois anos com o projeto, um dos maiores e mais completos espetáculos teatrais já apresentados, para uma platéia de mais de 200 mil pessoas. Simone interpretou a canção Meu namorado, composta pela dupla Chico Buarque e Edu Lobo. O espetáculo conta a história do grande amor entre um aristocrata e uma acrobata e a saga da família austríaca proprietária do Grande Circo Knie, que vagava pelo mundo nas primeiras décadas do século.

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura e feminismo, cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de mágoa e Seca d´água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

Em 1989, dez anos depois de conquistar o primeiro disco de ouro, o sucesso fluía com a mesma intensidade, e a artista figurava entre os poucos a ainda protagonizar especiais televisivos: Simone - especial (Rede Globo) apresentou trechos do espetáculo Sedução, em cartaz no Palace (São Paulo); dividiu o palco na tradicional apresentação de final de ano cantando ao lado de Roberto Carlos. Participou também do especial da Rede Globo Cazuza – Uma prova de amor, interpretando ao lado de Cazuza a canção Codinome Beija-flor. Em 1991 gravou um clipe para o programa Fantástico, idealizado pelo sociólogo Betinho, intitulado Luz do Mundo, para arrecadar fundos para a reabilitação de menores.

O sucesso de público, vendagem, os especiais de TV e o repertório refinado situaram-na como um dos nomes mais respeitados da fina flor da MPB; de cantora elitista, passaria, a partir de meados da década de 80, com a seleção de um repertório excessivamente popular, pela fase mais obscura da carreira, enfrentando o estigma da crítica especializada que desmerecia a interpretação, arranjos e compositores escolhidos -- foi a chamada fase brega, que de uma maneira geral marcou os anos 80 pela exacerbação aos apelos do romantismo. A despeito disso, manteve-se como grande vendedora de discos e alcançou enorme popularidade: fosse de quem fosse a composição o toque de Midas garantia um sucesso atrás do outro.

Flávio Rangel, Jorge Fernando, José Possi Neto, Nelson Motta, Ney Matogrosso e Sandra Pêra são alguns dos nomes que assinam a direção dos espetáculos. O show Sou Eu ganhou o prêmio de melhor do ano em 1992 e originou o álbum homônimo — comemorativo dos vinte anos de carreira, que trazia regravações dos antigos sucessos entre outras canções consagradas. Em 1997 apresentou-se na casa de espetáculos carioca Metropolitan, com Brasil, O Show, dirigido por José Possi Neto, onde interpretou clássicos do samba (Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa, Dorival Caymmi, Nelson Rufino, Carlinhos Santana, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, Toninho Geraes, David Nasser, Alcyr Pires Vermelho, George Israel, Nilo Romero, Alocin, Ary Barroso, Gonzaguinha, Mário Lago, Ataulfo Alves, Cazuza, e outros) entre outras gravações do álbum de estúdio do ano anterior, Café com leite.

Em maio de 2006, num pocket show, no cenário intimista da respeitada casa Bourbon Street, Simone e a banda levaram um repertório romântico ao público que se encantou com arranjos originais, em tom jazzístico, apresentado na capital paulista, no contexto do Projeto Credicard Vozes. Outras recentes apresentações, no Peru, foi aplaudida de pé por mais de cinco minutos; em Miami, ao lado do parceiro Ivan Lins, obteve reconhecimento da crítica que considerou a apresentação uma das melhores dos últimos anos na Flórida.

Repertório

Na história da MPB a tradição romântica foi intensificada nos anos 80 e os temas de amor romântico, paixão, foram amplamente explorados por diversos cantores(as) e compositores(as). Simone, que desde o início da carreira interpretou predominantemente canções românticas, figura dentre elas e é por isso elencada na categoria de cantora romântica; o repertório abrange mais de 350 interpretações [11], um dos mais vastos e diversificados dentre as vozes femininas, compondo um verdadeiro mosaico de estilos. O amor romântico ou idealizado, a paixão, (Começar de Novo, Jura Secreta, Corpo, Medo de Amar nº2, Raios de luz, Lenha), o samba (O Amanhã, Disputa de Poder, Ex-amor), e a religiosidade (Cantos de Maculelê, Reis e rainhas do Maracatu, Então é Natal, Ave Maria, Jesus Cristo) são os mais recorrentes na obra.

Ao longo da infância e juventude as principais referências deste repertório romântico foram Roberto Carlos, Milton Nascimento e Maysa Matarazzo, de quem é grande fã e que grande influência exerceu na carreira, Dolores Duran, Ângela Maria e Nora Ney -- as maiores expoentes do gênero samba-canção ou fossa. O gênero, comparado ao bolero, pela exploração e exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo. O samba canção (surgido na década de 30) antecedeu o movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 50, em 1957), com o qual Maysa já foi identificada. Mas este último, herdeiro do jazz norte-americano, representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas, da dor-de-cotovelo e da melancolia. O legado de Maysa, ainda que aponte para dívidas com a bossa, é o de uma cantora mais dramática e a voz é mais arrastada do que as intérpretes da bossa e por isso aproxima-se antes do samba-canção e do bolero. O declarado gosto pessoal de Simone por boleros advém desta herança musical [12].

como intérprete, Ivan Lins, Vitor Martins, Milton Nascimento, Fernando Brant, Paulo César Pinheiro, Gonzaguinha, Chico Buarque, Martinho da Vila, Fátima Guedes, João Bosco, Aldir Blanc, Isolda, Roberto Carlos, Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Sueli Costa e Abel Silva são os compositores com maior número de interpretações na voz. O repertório atual inclui ainda Zélia Duncan, Cássia Eller, Adriana Calcanhotto, Aldir Blanc, Joyce, Martinho da Vila, Ivan Lins, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.

O talento, a voz

Desde o primeiro LP gravado até os dias atuais o talento então descoberto é expressado pela espontaneidade, o dom naturalt, sem qualquer registro de passagem por escolas de música ou aulas de canto, tampouco utiliza a leitura de cifras como recurso de intelecção aos acordes. Marcada por um acentuado sotaque baiano, que o tempo nunca apagou, e um exclusivíssimo timbre metálico de mezzo-soprano, a voz revela-se também por uma leve rouquidão com viés romântico, entrementes exaltada por um travo de emoção contida, como nos dramas românticos de Começar de novo, Jura secreta e Gota d´água. Na nomenclatura do canto o registro vocálico é de tessitura vertical mediana, contrabalançado por uma ampla horizontalidade ou versatilidade; atualmente, na maturidade, pode ser definido com o de um contralto, mais grave, que o do tenor e o do mezzo-soprano; observa-se na obra o uso do recurso do falsete, como em alguns versos do refrão de Jesus Cristo, no qual o timbre alcança um agudo para além do registro convencional. Trajetória profissional que se consolidou com um repertório eclético ensejado por um alto grau de versatilidade vocal, abrangendo interpretações solo em castelhano e ao lado de nomes como Pablo Milanés, Plácido Domingo, José Carreras e Julio Iglesias. Foi por três vezes nomeada para concorrer ao Grammy Latino.

Dos álbuns gravados depois da década de 80, uma época considerada de apelo mais popularesco, destacam-se Simone Bittencourt de Oliveira (1995), que trouxe baladas entre outros clássicos e sambas de compositores consagrados; Café com leite (1996), um tributo a Martinho da Vila; Seda pura, uma incursão ao pop (2001) e Baiana da Gema, um tributo a Ivan Lins (2004) -- trabalhos referidos como um reencontro com um repertório mais seletivo e arranjos mais apurados. Dentre estes destaca-se ainda o reputado Café com Leite, no qual interpreta Martinho da Vila com maestria, calando em alto estilo a crítica especializada, que vez por outra lhe faz reservas. Reconhecido momento de excelência, vendeu mais de 600 mil cópias, classificando-se como uma de suas maiores vendagens. O cantor e compositor Caetano Veloso figura entre os admiradores públicos deste álbum: O disco da Simone com músicas do Martinho da Vila eu acho divino, divino e ninguém disse nada... Ficou, finge que não é nada. Aquilo é divino. O repertório dele fez bem a ela -- aquele disco é de eu botar em casa, sozinho de tanto que eu gostei. Ela deu clareza àquelas composições, é lindo. E foi um projeto pensado pela gravadora de uma cantora que cantaria um autor, combinado, não sei como foi, mas é lindo, é maravilhoso o resultado. E ela é uma grande cantora, muito boa, eu adoro. Uma voz muito bonita e que faz muito bem [13].

Os sucessos

A presença no palco é caracterizada entre outras pelo tradicional traje branco, altura incomum e porte atlético -- e o famoso gesto ao mesmo tempo religioso e generoso de abrir os braços [14] no formato de uma cruz, contemplando gestualmente algumas canções. É famosa também a maneira como Simone encerra os espetáculos, distribuindo flores, rosas brancas, para o público: As rosas são uma forma de agradecimento, é uma lembrança minha ao público. E a roupa branca já vem de muito tempo. O branco é a unificação de todas as cores e simboliza o meu mestre espiritual, que me acompanha sempre. [15].

A pedido, ganhou em 1978, do amigo Bituca, Milton Nascimento, a composição que se tornou então o apelido, Cigarra, do disco homônimo lançado no mesmo ano. O pedido por uma canção com o tema de cigarra partiu da própria cantora por ocasião de um evento ocorrido em Salvador, quando Simone afirma ter sido surpreendida por uma voz que repetiu três vezes a palavra cigarra direcionando-se a ela e de maneira inusitada. A letra faz alusão à famosa fábula de Esopo, A Cigarra e a Formiga, como no trecho: ...

porque você pediu uma canção para cantar, como a cigarra arrebenta de tanta luz e enche de som o ar... porque a formiga é a melhor amiga da cigarra, raízes da mesma fábula que ela arranha, tece e espalha no ar...porque ainda é inverno em nosso coração, essa canção é para cantar como a cigarra acende o verão e ilumina o ar...

Além de Cigarra, foram consagradas na voz inúmeras canções, dentre as quais: Começar de Novo, Jura Secreta, Medo de amar no. 2, O ronco da cuíca, Face a face, Cordilheiras, Bodas de Prata, Quem é você, De frente pro crime, Fantasia, Quatro paredes, Desgosto, Mar e lua, Novo tempo, Música música, Condenados, Encontros e Despedidas, A distância, Outra vez, Danadinho danado, Canta canta minha gente, Disritmia, Sangrando, Cantos do maculelê, Louvor a Chico Mendes, Será, Sou eu, Você é real, Voltei pro morro, Samba de Orly, Reis e rainhas do maracatu, Caçador de Mim, Sob medida, Maria Maria, Iolanda, Quem te viu quem te vê, Tô que tô, Tô Voltando, Gota d'água, Me deixas louca, Vida, Pão e Poesia, O Amanhã, Pra não dizer que não falei das flores, Disputa de Poder, Uma nova mulher, O que será, Loca, Procuro Olvidarte, Raios de Luz, Tudo por amor, Tudo bem, Alma, Corpo, Amor no coração, Codinome beija-flor, Ex-amor, Um Desejo só não Basta, Amor explícito, Então é Natal, Jesus Cristo, Lenha, Separação, Pedaço de mim, Desesperar jamais, Saindo de mim, Começaria tudo outra vez, Veneziana, Idade do céu, Matriz ou filial, Cofre de seda, Muito estranho, Então me diz, É Festa, Existe um céu, e outras.

A antológica Começar de novo, do disco Pedaços (1979), destaca-se como o sucesso mais marcante e por ter sido também a canção-tema do seriado Malu Mulher (Rede Globo, 1979), que abordava assuntos polêmicos na época como a emancipação feminina, divórcio, aborto e violência doméstica. A personagem Malu (Regina Duarte) foi a primeira a tomar pílula anticoncepcional na TV. Simone foi escolhida para interpretá-la em detrimento de Maria Bethânia, cogitada também para a interpretação, mas que recusou. Na voz, a composição, que foi escrita especialmente para o seriado, por Ivan Lins e Vítor Martins, tornou-se um grande sucesso da época e um marco na história da MPB.

A letra descreve a tensão inconsciente dos relacionamentos amorosos, oscilando entre dois pólos opostos, sem no entanto apresentar um final feliz, reiterando por assim dizer o travo de tensão inicial. Não menos tensa é a melodia que acompanha a letra, iniciando com um fundo emotivo que cresce junto com o jogo de opostos da composição. A duplicidade das imagens exprime na raiz uma ambigüidade das emoções que subverte o sentido original de cada palavra: garras que não ferem, mas dão segurança; escoras que não amparam, mas dominam; e esporas que não coagem mas fascinam.

começar de novo / e contar comigo / vai valer a pena / ter amanhecido
sem as tuas garras / sempre tão seguras / sem o teu fantasma
sem tua moldura / sem tuas escoras / sem o teu domínio
sem tuas esporas / sem o teu fascínio

Começar de novo foi gravada também por Barbara Streisand e Sarah Vaughan. O produtor musical norte-americano Quincy Jones figura entre os admiradores desta interpretação da cantora; admiração que estende ao talento, mencionando-a como "uma da maiores cantoras do mundo" [16].

Além de Quincy Jones, Hermínio Bello de Carvalho, Caetano Veloso, Martinho da Vila, Sandy, Ney Matogrosso, Ivan Lins, Milton Nascimento, Elis Regina, Zélia Duncan, o compositor português Tiago Torres, jazzista Brad Mehldau são os admiradores públicos e cadeiras cativas nos espetáculos as atrizes Regina Duarte, Fernanda Montenegro, Christiane Torloni, Marisa Orth, Cláudia Jimenez, Cláudia Raia, Ângela Vieira, Sílvia Bandeira, Marieta Severo, Aracy Balabanian, Marília Pêra; as apresentadoras Hebe Camargo, Xuxa, Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, as jornalistas Marília Gabriela, Leda Nagle, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o executivo Boni, o e as ex-colegas de profissão, as basquetebolistas Hortência Marcari e Maria Paula.

Espiritualidade

São manifestados em público também os interesses pessoais por assuntos religiosos e esotéricos, a espiritualidade de uma maneira geral. Data do início da carreira um encontro marcante com o esoterismo e com aquele que durante alguns anos foi o guru, o esoterista Mário Troncoso. Desde jovem Simone enxergava à volta um foco de luz, que de maneira gratuita aparecia e sumia e ao qual ela atribuia à avançada miopia no olho direito (onze graus). O esoterista, sem conhecê-la, explicou a ocorrência do fenômeno, que até então era um segredo nunca compartilhado, transmitindo-lhe conhecimentos na área da Teosofia e da Grande Fraternidade Branca.

Além da iniciação nos preceitos da teosofia, dentre os muitos conhecimentos transmitidos, destaca-se a associação deste foco de luz à descoberta de um mestre espiritual, representado pela luz branca, cósmica ou incolor: Seraphis Bey é o mestre ascencionado do quarto raio chacra (na tradição católica, este chacra é simbolizado pelo coração luminoso de Cristo), guia espiritual de artistas e músicos e é por meio dele recebido, pelo plexo solar ou diafragma. Na vida pública esta descoberta teve como consequência a prática de algumas idiossincrasias, orientadas pelo esoterista e hoje conhecidas do público, como a adoção desde então do inseparável traje branco, que simboliza a Pureza espiritual, a Paz e a ascensão à Luz e visa a homenagear o mestre, além do hábito de acender incensos e rezar antes de entrar no palco. Assim, é por este motivo que a cantora Simone está sempre vestida de branco; também em homenagem ao mestre foi gravado o disco Raios de Luz (1991), o qual foi também dedicado à cantora Clara Nunes.

Em entrevista ao programa Cara a Cara (TV Bandeirantes, 1993) comentou: Eu nunca fiz um show que eu não pedisse que aquela energia fosse para aquelas pessoas que estão ali, pros músicos, pros técnicos, pros familiares, se é através de uma televisão, que a vibração de amor e de paz, ela voe junto com as pessoas... Então, o meu trabalho é também um trabalho espiritual, ele é todo ligado a um trabalho espiritual.

A descoberta do branco como afinidade espiritual estendeu-se não só ao figurino como também ao dos músicos da banda, por vezes à cenografia das apresentações, no começo da carreira e ao longo da década de 80, à famosa Mercedes branca, um dos carros mais luxuosos e cobiçados na época, emblemas de status e glamour que compunham o quadro da iconografia pública da artista.

Idiossincrasia

Características pessoais e da obra estabelecem inegável elo com o Cristianismo:

  • É conhecido seu gesto de abrir os braços no palco como uma cruz (ou como Cristo); tanto que a Revista Veja declarou: Quando Simone abre os braços no palco, ninguém é mais poderoso na MPB [17];
  • O cabalístico número sete, onipresente na Bíblia [18] [19], é recorrente para ela: é a sétima filha, nascida sete minutos após a meia-noite, num dia sete (2 + 5); de acordo com a numerologia pitagórica, a soma do nome completo resulta num sete ("6" é a soma das vogais e "1" a soma das consoantes) e tem vinte e sete letras; as duas primeiras letras do nome, SI, são também a sétima nota musical: Do - Re - Mi - Fa - Sol - La - Si; o signo ascendente é libra, que é o sétimo signo do zodíaco.
  • O signo de libra rege as artes, a música, a beleza, a dança; é simbolizado por uma balança ou pela idéia de harmonia e equilíbrio; libra é regido pelo planeta Vênus (panteão romano ou Afrodite, no panteão grego), também chamado de planeta do amor; na astronomia, devido à grande luz que emana, é o único corpo celeste, além da Lua, que pode ser visto visto tanto durante o dia quanto à noite; Vénus é conhecido como a estrela da manhã (Estrela d'Alva) ou estrela da tarde (vésper) ou ainda Estrela do Pastor. Quando visível no céu noturno, é o objeto mais brilhante do firmamento, além da Lua, devido ao grande brilho, cuja magnitude pode chegar a -4,4 (costuma-se ser da magnitude de -3,8).
  • No começo da carreira Simone conheceu um guru que a introduziu aos princípios da Teosofia; sem conhecê-la o guru explicou o porquê de ela ver constantemente um foco de luz incolor, que antes ela atribuia à avançada miopia. Juntos descobriram o mestre espiritual de Simone, Seraphis Bey, que atua pelo quarto raio (ou quarto chacra) e por meio da luz cósmica incolor; na tradição católica o quarto chacra é simbolizado pelo coração luminoso de Cristo. Segundo Gênesis 1:3, Deus disse: "Faça-se a Luz. E a luz foi feita." Em 1:4 "Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas." [20]. (Uma das leis fundamentais da Física enuncia que todo o objeto existente só é visto pelo olho humano porque reflete ou absorve luz [21] [22]; para a botânica, o florescimento se dá orientado pela luz; na medicina, o relógio biológico é orientado pela exposição à luz; no livro O Mefistófeles e o andrógino, Mircea Eliade, um dos maiores pensadores do mundo sobre ciência das religiões, explica o fenômeno da luz mística ou iluminação como eixo central do cristianismo, hinduísmo, budismo e taoísmo, entre outras religiões.)
  • O hábito de orar antes de entrar no palco; as várias declarações e agradecimentos a Deus pela vida e pelos dons [23];
  • 25 de Dezembro é o nome do disco lançado em 1995 [24]. e a maior vendagem da carreira, alcançando mais de 1.2 milhões de cópias vendidas (em menos de um mês e meio) em português e mais de 2.0 mi em espanhol; ao lado de Então é Natal, Jesus Cristo se tornou a canção mais popular do álbum e uma das mais populares da carreira.

Simone, aquela que ouve

  • A etimologia de Simone deriva do hebraico Simon ou Simão [25], significa aquele que ouve [26]. Segundo a Bíblia, Simão de Cirene foi aquele que carregou a cruz para Jesus Cristo, realizando a quinta estação da Via Crucis.
  • A palavra carisma vem do grego khárisma e significa crismado ou tocado pelo Espírito Santo. Segundo a doutrina católica um discípulo só é tocado pelo Espírito Santo se ao ouvir a voz de Deus tiver virtude de obedecer [27]. Ao exigir que o discípulo O obedeça o objetivo de Deus (ou do mestre) é divinizar o discípulo e nele manifestar o Espírito Santo; assim, ao enunciar "em nome do pai, do filho e do espírito Santo", o objetivo é fazer com que o discípulo respeite o Pai ou a hierarquia (hieros=sagrado) / (arquia=poder). Segundo outras passagens da Bíblia que exaltam a virtude de ouvir e obedecer: Fazei tudo o que Ele vos disser! (Jo 2,5). Ainda não se deu conselho mais sábio que esse. Porque fazendo apenas isso, estamos fazendo simplesmente tudo! Não há sabedoria maior do que obedecer a Deus. A propósito, Salomão, quando pediu sabedoria a Deus, pediu 'um coração obediente' literalmente, 'um coração que ouve' (cf. 1Rs 3,9). Um filho sábio escuta a disciplina do pai, e o zombador não escuta a reprimenda (Pr 13,1).
  • Na nomenclatura da psicanálise junguiana [28], o carismático recebe o nome de personalidade maná ou personalidade que emana; ou (nomenclatura católica) personalidade divina ou divinizada (ou obediente): Povos, escutai bem! Nações, prestai-me atenção! Pois é de mim que emanará a doutrina e a verdadeira religião que será a luz dos povos (Isaías 51,4) [29]. (Na tradição esotérica, o termo equivalente é Senda, Sendeiro ou Caminho; termo técnico empregado em escolas de religião ou filosofia esotérica para designar o percurso de progresso espiritual daquele que aspira à iluminação, à união com o divino ou a alguma espécie de iniciação.)
  • Assim como o querubim ungido, Satanás, ao desobedecer a Deus e querer superá-Lo [30] sofre o processo de inflação (nomenclatura junguiana) ou idolatria ou egolatria ou ainda fanatismo (nomenclatura católica) [31] se torna pecador (nomenclatura católica). Segundo Jung, ao falhar no processo de transcendência (divinização ou obediência) o indíviduo passa por um processo de "inflação" do ego e não conclui o processo de individuação. "Jung via a encarnação de Cristo como simbolizando a realização daquilo que ele, como psicólogo, chamava “o processo da individuação”. A figura de Cristo realizou plenamente seu potencial e cumpriu seu destino." [32].

Parcerias

Dentre as parcerias estão nomes como Milton Nascimento, Chico Buarque, Isolda, Roberto Carlos, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, João Bosco, Ivan Lins, Gal Costa, Toquinho, Cazuza, Erasmo Carlos, Gonzaguinha, Ney Matogrosso, José Luis Rodrigues, José Carreras, Plácido Domingo, Pablo Milanes, Julio Iglesias, Luís Represas, Fátima Guedes, Grupo Olodum da Bahia, Meninas Cantoras de Petrópolis, Daniela Romo, Eugênia Melo e Castro, Dulce Pontes, Hebe Camargo, Marília Gabriela, Ângela Maria, Zélia Duncan e outros.

Oficialmente, a vendagem mínima dos álbuns é de 7,2 milhões de cópias; o número semi-oficial é de 15 milhões: vinte discos de ouro, dezesseis de platina e um de diamante. Apenas com o CD 25 de dezembro, somente com canções natalinas, ultrapassou 1,2 milhão. A reedição deste CD contou com a participação especial das Meninas Cantoras de Petrópolis, na canção Ave Maria, não constante da versão original. A versão em espanhol vendeu dois milhões de cópias.

Canções que marcaram época, temas de filmes de longa-metragem, de telenovelas e seriados, além de garantir à cantora uma posição confortável nos hits de paradas das rádios, durante mais de três décadas de sucesso.

Referência bibliográfica

  • Travessia: A vida de Milton Nascimento. Maria Dolores. 2006. Ed. Rcb.
  • 1985, O ano em que o Brasil recomeçou. Edmundo Barreiros e Pedro Só. 2006. Ediouro.
  • História sexual da MPB. Rodrigo Faour. 2006. Editora Rcb.
  • Nada será como antes, a MPB nos anos 70. Ana Maria Bahiana. 2006. Ed. Senac.
  • Timoneiro - Perfil Biográfico de Hermínio Bello de Carvalho. Alexandre Pavan. 2006. Ed. Casa da Palavra.
  • Toquinho: 40 anos de música. João Carlos Pecci. 2005. RCS Editora.
  • Viver de Teatro - Uma biografia de Flávio Rangel. José Rubens Siqueira. Ed. Nova Alexandria.
  • Meus Discos e Nada Mais - Memórias de um DJ na Música Brasileira. Zé Pedro. 2007. Editora Jaboticaba.
  • Ouvindo Estrelas - A Luta, a Ousadia e a Glória de um dos Maiores Produtores Musicais do Brasil. Marco Mazzola. 2007. Editora Planeta.
  • Todos Entoam - Ensaios, Conversas e Canções. Luiz Tatit. 2008. Editora Publifolha.
    • Bibliografia não crítica. Apenas citações.

Canções temas de telenovelas

Principais espetáculos

  • 1973: Panorama brasileiro Feira Brasil Export de Bruxelas (Bélgica) e Olympia de Paris (França)
  • 1973: Simone, Turnê nos Estados Unidos e no Canadá
  • 1973: Expo 73, Esporte Clube Pinheiros, São Paulo
  • 1977: Projeto Pixinguinha, Teatro Dulcina, Rio de Janeiro e turnê nacional
  • 1978: Cigarra, Canecão, Rio de Janeiro
  • 1979: Pedaços, Canecão (RJ) e turnê nacional
  • 1981: Simone, Maracanãzinho, Rio de Janeiro
  • 1982: Canta Brasil, Estádio do Morumbi, São Paulo
  • 1982: Corpo e alma, Canecão, Rio de Janeiro
  • 1992: Sou eu, Estádio do Morumbi, São Paulo
  • 1997: Brasil, o Show, Metropolitan, Rio de Janeiro
  • 2000: Fica comigo esta noite, Canecão, Rio de Janeiro
  • 2004: Baiana da Gema, Tom Brasil, São Paulo
  • 2004: Baiana da Gema, Canecão, Rio de Janeiro
  • 2004: Baiana da Gema, Scala, Rio de Janeiro
  • 2005: Baiana da gema, Claro Hall, Rio de Janeiro
  • 2006: Projeto Credicard Vozes, Bourbon Street, São Paulo
  • 2006: Simone Canecão, Rio de Janeiro
  • 2006: Simone e Ivan Lins, Au-Rene Theater, Broward Center, Miami
  • 2006: Tom Acústico com Zélia Duncan, Tom Brasil, São Paulo
  • 2008: Tour nacional de Amigo é casa

Vendagem dos álbuns

  • Simone (1972) - 5 mil
  • Quatro Paredes (1974) - 50 mil
  • Gota d'Água (1975) - 50 mil
  • Face a Face (1977) - 140 mil
  • Cigarra (1978) - 140 mil
  • Pedaços (1979) - 250 mil
  • Ao Vivo (1980) - 300 mil
  • Simone (1980) - 300 mil
  • Amar (1981) - 400 mil
  • Corpo e Alma (1982) - 700 mil (chegou com 250 mil cópias vendidas)
  • Delírios e Delícias (1983) - 300 mil
  • Desejos (1984) - 300 mil (chegou com 250 mil cópias vendidas, mais vinte mil no Japão)
  • Cristal (1985) - 500 mil (mais cem mil - disco de prata - em Portugal)
  • Amor e Paixão (1986) - 800 mil (900 mil, chegou com 550 mil cópias vendidas)
  • Sedução (1988) - 250 mil
  • Simone (1989) - 250 mil
  • Raio de Luz (1991) - 100 mil
  • Simone Bittencourt de Oliveira (1995) - 300 mil
  • 25 de Dezembro (1995) - 1,2 milhão
  • Café com Leite (1996) - 600 mil
  • 25 de diciembre (1996) - 2 milhões
  • Brasil O Show (1997) - 100 mil
  • Loca (1998) - 100 mil
  • Fica Comigo Esta Noite (2000) - 100 mil
  • Seda Pura (2001) - 68 mil
  • Feminino (2002) - 53 mil
  • Baiana da Gema (2004) - 50 mil (1º mês) - disco de ouro - 125 mil - disco de platina (abril 2005)
  • Ao Vivo (2005) - 100 mil
  • Ao Vivo (2006) (DVD) - 25 mil (50 mil)
    • Total: 7.231.

Discografia

EMI

  • 1973 - Simone
  • 1973 - Brasil Export
  • 1973 - Expo Som 73 - ao vivo
  • 1974 - Festa Brasil
  • 1974 - Quatro Paredes
  • 1975 - Gotas D'Água
  • 1977 - Face a Face
  • 1978 - Cigarra
  • 1979 - Pedaços
  • 1980 - Simone Ao Vivo no Canecão
  • 1980 - Simone (Atrevida)

Sony BMG / CBS

  • 1981 - Amar
  • 1982 - Corpo e Alma
  • 1983 - Delírios e Delícias
  • 1984 - Desejos
  • 1985 - Cristal
  • 1986 - Amor e Paixão
  • 1987 - Vício
  • 1988 - Sedução
  • 1989 - Simone (Tudo por Amor)
  • 1991 - Raio de Luz
  • 1991 - Simone - Procuro Olvidarte (Espanhol)
  • 1993 - Sou Eu
  • 1993 - La Distancia (Espanhol)
  • 1995 - Simone Bittencourt de Oliveira
  • 1995 - Dos Enamoradas (Espanhol)

Universal / Polygram

  • 1995 - 25 de Dezembro
  • 1996 - Café com Leite
  • 1996 - 25 de diciembre (Espanhol)
  • 1997 - Brasil, O Show - ao vivo
  • 1998 - Loca (Espanhol)
  • 2000 - Fica Comigo Esta Noite
  • 2001 - Seda Pura
  • 2002 - Feminino - ao vivo

EMI

  • 2004 - Baiana da Gema
  • 2005 - Simone ao Vivo

Biscoito fino

  • 2007 - Cd Amigo é casa
  • 2007 - Dvd Amigo é casa

Notas

Ligações externas

Wikiquote
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Simone Bittencourt de Oliveira.



BIOGRAFIAS

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